Um lugar onde eu não me sinto no meu, digamos, habitat natural, é naquela tal de balada. Não dá, eu não fui feito pra aquilo - e às vezes, dependendo do convite, eu ouso dar uma chance praquilo lá mas sempre me arrependo. E sempre me arrependo depois de uns 30 minutos, na melhor das hipóteses.
Eu não entendo o que leva as pessoas pra lá, por mais que eu tente: é um lugar onde sempre toca música ruim - com algumas exceções, que vou vou falar mais pra frente. Se acalme, piá! -, não dá pra andar direito, quente pra caramba - e, quem me conhece sabe o que isso significa pra mim: litros e mais litros de suor - e que, pra mim pelo menos, é cheio de gente que "é meio igual comida estranha: não conheço, mas não gosto, não." [@isaschweigert, 2009] Mas já dá pra dizer que melhorou um pouquinho: por causa da lei anti-fumo, pelo menos eu não saio fedendo cigarro.
Mas o pior da balada pra mim é a impossibilidade de conversar com as pessoas. Cada um fica dançando sozinho - ou não, no meu caso -, de um modo que lembra, de longe, autistas, e se comunicando, de vez em quando, com as pessoas que estão ao seu lado aos gritos e utilizando frases curtas. (Epifania do dia: quase um twitter!!)
Então chegamos no que é o maior mistério dessa tal de balada pra mim: eu não consigo entender como alguém vai pra esses lugares para "conhecer gente nova" se, pra mim - eu sou meio à moda antiga, não liguem - para começar a conhecer alguém eu preciso de, sei lá, pelo menos uma meia hora de conversa.
Por essas coisas que eu sou deveras a favor de barzinhos: um lugar onde as pessoas estão sentadas em volta de uma mesa, sem aglomeração, com uma música ambiente - que, em geral, é de bom gosto - que não é alta a ponto de fazer as pessoas se comunicarem aos berros e tudo isso regado a uma bebida de qualidade. E, claro, uma boa companhia.
Mas claro: há excessões. Lugares que eu acho que são considerados baladas que eu até gosto de ir, porque conseguem manter um bom nível musical e não são tão lotados. Bons exemplos, daqui de Curitiba, são o Crossroads e o Empório São Francisco. Mas também é muito de vez em quando, não esperem que eu vire frequentador assíduo desses lugares.
Concluindo, então, nunca me chame para uma balada ou coisa que o valha. A palavra em si já me irrita - tive que parar de escrever para ir vomitar umas três vezes, por causa do número de vezes que escrevi essa maldita palavra. A minha resposta vai ser sempre variações entre "acho que não vai dar" e "nem fodendo", de acordo com a intimidade que eu tiver com o ser. A não ser que o convite venha em um dos raros dias que eu esteja otimista o suficiente para pensar que "ah, não vai tar tão ruim" - mas esse otimismo dura no máximo 30 minutos, quando eu vou começar a pensar nos livros que podia tar lendo, na música que eu poderia estar escutando ou com quem eu estaria falando se não estivesse ali, naquela porcaria de lugar.







